Adquirindo e fabricando produtos ergonômicos

Encontramos atualmente à disposição no mercado uma série de produtos que utilizam o adjetivo "ergonômico".

Lamentavelmente, em um número assustador dos produtos oferecidos, constata-se muitas vezes que além de não serem nada ergonômicos, nem seu próprio fabricante sabe o que é "ser ergonômico". 

Utilizam-se portanto da palavra "ergonômico" como estratégia de marketing, no intuito de incrementar as vendas, quando na verdade tal atributo deveria ser a garantia, para o usuário final, de um melhor produto em relação aos produtos similares disponíveis no mercado. 

Sylvia_photo_01.jpg (5225 bytes)
Sylvia Volpi

Professora e  Conslutora
de Ergonomia 


Na tentativa de minimizar tais ocorrências, tenho questionado muitas empresas sobre as propriedades ergonômicas prometidas por seus produtos. Em várias situações solicitei amostra de produtos para serem testados e alguns fabricantes se recusaram a enviá-la.

Nós consumidores temos que nos assegurar que o produto realmente possua as características prometidas na venda e recebermos, por escrito, garantias para tal, pois afirmações infundadas, configuram-se em propaganda enganosa, considerada crime contra o consumidor.

Os produtos que se dizem ergonômicos precisam ser testados para que sejam comprovadas suas qualidades neste aspecto e para que seja determinado a que tipo(s) de atividade ou utilização (s) é mais indicado.

PARECER TÉCNICO ERGONÔMICO

Sempre que se for adquirir um produto dito ergonômico deve se solicitar ao fabricante o Parecer Técnico Ergonômico, que seja emitido por um ergonomista renomado, evitando assim que qualquer pessoa possa se dizer ergonomista e assiná-lo.

Um ergonomista de conhecimento público, jamais emitirá parecer favorável para produtos que deixem a desejar em ergonomia.

Este tipo de parecer, situa o produto dentro da NR 17 e principalmente diante dos conceitos da ergonomia (basear-se apenas na NR 17 é executar uma avaliação parcial e falha pois a mesma não consegue englobar todos os tipos de situações e aspectos ergonômicos).

Apontando as qualidades e deficiências do produto, o Parecer Técnico Ergonômico, é emitido segundo sua utilização por diversos tipos de usuários e o ergonomista emitente, que expõe suas opiniões sobre cada produto testado.

O Parecer Técnico Ergonômico valida a qualidade ergonômica do produto.

Pareceres emitidos em outros países não são válidos para a população brasileira, que difere antropometrica e antropomorficamente em suas diversas origens étnicas, sem se levarem em conta também diferenças climáticas, culturais, métodos e organização de trabalho, tecnologia, entre tantos outros.

O teste no exterior comprova que o produto atende as necessidades daquela população portanto, é valido apenas para aqueles usuários.

É a partir do Parecer Técnico Ergonômico, que se obtêm parâmetros para o produto realmente ergonômico, o que traz a segurança na hora de se adquirir tais produtos, evitando as famosas compras apenas pelo menor preço, onde o que se compra dificilmente possui qualidade e dificilmente ergonomia.

Tais produtos após testes e aprovação apresentam o resultado da razão custo benefício muito positiva, até a curto prazo.

Já está sendo comum nas empresas quando da aquisição de produtos solicitarem este parecer, como condição primordial para que ocorra a tomada de preços.

O barato, como sempre disseram nossos avós, acaba saindo muito, muito mais caro.
Mais "cara" ainda é a saúde, o bem estar e integridade física dos seres humanos, pois esta não tem preço. 

O produto com preço muito inferior, ilude pois, sua qualidade está diretamente ligada ao preço, não possui durabilidade, não se torna útil em termos econômicos, e dificilmente trará benefícios aos funcionários, pelo contrário, no geral ainda contribui para lesões, absenteísmo, queda de produtividade e qualidade de serviços, que fatalmente se reverterão em custos extremamente superiores para a empresa, com valores muito além da diferença de preços entre o produto ideal e o mais barato que foi adquirido. Cuidados também devem ser tomados quanto a produtos visualmente iguais porém, qualitativamente bem diferentes

O que é um produto ergonômico?

O produto ergonômico se diferencia dos outros por se harmonizar melhor com as características psicofisiológicas do ser humano.

Deve possuir determinadas propriedades e características que diferem de produto para produto, conforme a finalidade a que se destina, ocorrem casos de se descobrir que determinado produto se presta ao fim a que se propõe ou não e até outras situações de uso que o fabricante nem imaginava, ou... nenhuma das anteriores.

De acordo com o produto, há ou não a exigência de que este possua características de ajuste antropométrico, e quase respeitando as características antrométricas sempre é condição obrigatória que ele siga os padrões antropomórficos.

O objetivo do produto ergonômico é tornar as tarefas mais fácies e menos penosas de se executar, levando a posturas e posicionamentos musculares adequados, à correta aplicação das forças, a um menor dispêndio energético e psíquico, entre tantas outras vantagens que pode proporcionar ao seu usuário.

O fato de ser considerado ergonômico, não é garantia de que se adequará a todos os tipos físicos ou a todo os tipos de tarefas a serem realizadas.

Todo o produto ergonômico ou não possui restrições, e oferece qualidades que se adaptam melhor a determinadas utilizações e a determinados usuários.

Surge então a necessidade da análise ergonômica do trabalho, onde dentre os produtos considerados ergonômicos se definirá qual o mais indicado e que pode oferecer melhores resultados em determinada tarefa.

Consultar um ergonomista para determinar-se o que deve ser feito e quem possui o produto que se necessita é um caminho mais rápido e seguro e para se alcançar sucesso, pois estamos sempre em contato direto e obrigatório, com novos produtos e temos o interesse de conhece-los e testa-los.

O conceito de maior conforto gerado pela harmonia entre o produto e quem o utiliza, hoje e cada vez mais no futuro, será a condição mais procurada pelos consumidores e a mais almejada pelos fabricantes.

A sensação de bem estar na execução de tarefas oferecida pelo produto será condição de decisão de compra.

Isto mostra que cada vez mais as pessoas estão conhecendo e incorporando a ergonomia em suas vidas e só tem a ganhar com esta prática. Estes novos consumidores estão exigindo a ergonomia no que adquirem e, desta maneira, conquistando seu espaço, ampliando este mercado.

Tal prática obriga os fabricantes a tentar melhorar cada vez mais os seus produtos, a criar, pesquisar , buscar maior conforto para o usuário e elimina numa seleção natural os maus produtos, excluindo-os dia após dia do mercado.

Já estamos chegando ao ponto em que os fabricantes incluirão a ergonomia na fase de projeto do produto e não tentar implantar no produto já acabado adaptações que são muito onerosas e nem sempre possíveis.

Que todos terão a consciência de que não é suficiente fabricar-se produtos baseados apenas na NR 17, pois os princípios de ergonomia vão muito mais além.

SEGURANÇA PARA QUEM COMPRA E PARA QUEM FABRICA

Os fabricantes devem levar seus produtos ao consumidor final com folheto/manual de instruções com modo de usar, características técnicas, indicações sobre o material utilizado, precauções.

Como numa bula de remédio deve constar também as indicações e contra-indicações. Fornecer termo de garantia de produto é postura do fabricante idôneo que não tem receio de "garantir" que seu produto é bom.

Tudo isto para que o produto possa ser utilizado de maneira adequada, correta, não sendo danificado ou oferecendo riscos ao usuário pela simples falta de informação. 

Desta forma o fabricante estará assegurado de que o produto proporciona tudo o que está garantindo. Um consumidor bem informado é um usuário satisfeito que se transforma num excelente "vendedor" gratuito do produto. 

Danos causados por utilização incorreta gerada por falta de informações podem levar a empresa a sofrer processo judiciais, perder mercado, "queimar" de forma definitiva o produto e até a imagem da empresa.

No caso de equipamentos mais complexos, cuja má utilização trará ônus para o trabalhador e para a empresa. além de grandes, riscos se faz necessário o treinamento pessoal e especializado.

Diante do exposto é patente e urgente a necessidade das empresas da adaptação imediata de seus produtos nos aspectos ergonômicos, submetendo-os a testes visando sua avaliação e possível adaptação em termos ergonômicos. 

Sugere prováveis modificações , possíveis utilizações, caso existam.

Comercialmente, todo o produto considerado ergonômico, que possui o aval de ergonomista conceituado, reflete sua idoneidade, qualidade e individualidade perante o consumidor.

A ergonomia é uma ciência já do passado, atuante no presente e imprescindível para a garantia de nosso futuro.

E como dizem nas bulas de remédios, digo, nas "bulas de ergonomia": não use produtos sem o conhecimento do seu ergonomista, e se aparecem os sintomas consulte-o !

  

Webmaker: M. Canton