Uma ciência também ecológica.

Artigo publicado na revista Meio Ambiente Industrial

A Ergonomia visa preservar o maior patrimônio da natureza: o Homem. Se ela preserva o Homem, é também uma ciência ecológica.

Nascendo com o Homem, quando ainda nem se falava em ecologia, a ergonomia já se dedicava à sua preservação.

Modificando os ambientes, quer externa ou internamente, colocando o bem estar das pessoas, faz seu papel.

Quando falamos em preservar o Homem, estamos buscando sua qualidade de vida, qualidade esta principalmente ambiental.

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Sylvia Volpi

Professora e  Conslutora
de Ergonomia 


Não se trata apenas da relação do homem com a natureza.

Os "ambientes" em que o Homem vive são diversos e cada qual possui suas características.

No trabalho, o Homem tem seu ambiente que, embora único, pode ser dividido em dois ambientes distintos, compondo-se de aspectos físicos e psicológicos. A ergonomia busca salvaguardar a saúde psicofisiológica do ser humano.

O ambiente físico, quando apresenta problemas, tem causas aparentes, visíveis, mensuráveis, palpáveis. Mas, o que dizer do ambiente emocional?

O ambiente emocional influi sobre cada indivíduo de forma diferenciada, pois cada um está apto a "sentir" este ambiente de acordo com suas experiências de vida e estado psíquico do momento.

A qualidade do ambiente emocional é uma medida subjetiva que afeta cada um com determinada forma e intensidade.

O que não se deve jamais é separá-los e sim estudá-los como um todo pois estes estão interagindo constantemente, e por vezes, se modificando.

As pessoas não agem da mesma maneira o tempo todo, modificam seu comportamento conforme a situação, estado de humor, temperatura, época do ano, etc.

Isto é normal e saudável, pois colabora também na prevenção da monotonia.

Problemas começam à surgir quando o ambiente deixa de se tornar equilibrado pela ação de um ou mais indivíduos com atitudes e/ou personalidades que podem criar "climas insalubres".

Estes indivíduos podem ser caracterizados pelos pessimistas, ambiciosos demais, intolerantes e intoleráveis entre outros.

O desequilíbrio, que pode ser gerado por determinadas reações de cada indivíduo perante a situações inconfortáveis, pode levar a problemas físicos que foram gerados por uma falta de estabilidade emocional no ambiente.

Vale lembrar que cargas emocionais são agentes estressantes tão poderosos quanto cargas físicas.

O estado emocional alterado faz com que o hipotálamo e a glândula hipófise trabalhem demais. O cérebro produz em exagero os corticóides, substâncias que em excesso acabam por bloquear as defesas imunológicas. Com a queda da resistência, as doenças se instalam com mais facilidade no organismo. É comum o surgimento de hipertensão e gastrite nestas situações. Também há outros efeitos. O ritmo do coração aumenta pois o estresse também descarrega adrenalina no sangue, e estas descargas, se forem contínuas, tanto pior para as artérias, que são obrigadas a suportar uma pressão sanguínea maior para cada vez que isto ocorre. Com a sobrecarga dos batimentos cardíacos, os pulmões também passam a trabalhar em excesso, abrindo as portas do organismo para doenças respiratórias.

Um dos mecanismos que ajuda a controlar estas situações é o diálogo. Manter um ambiente psíquico saudável garante ao menos 50% de um bom ambiente.

As pessoas querem e gostam de ser ouvidas.

O diálogo entre as pessoas é de grande valia na qualidade ambiental, poder dizer o que se pensa e ouvir o que os outros têm a dizer facilita as relações interpessoais e evita mal entendidos.

Estar aberto a novas idéias e atento a possíveis sugestões de melhora também ajuda.

Perguntar ao funcionário o que ele quer ou gostaria antes de lhe impor algo, faz com que fique mais fácil o aceite da mudança, sua implantação e sua colaboração.

A conscientização do porquê se utilizar determinada norma ou procedimento e estar aberto à críticas, para melhoramento destas normas, amplia o bem estar no trabalho.

As pessoas necessitam participar ativamente dos processos para se sentirem como parte deles, passando assim de mero expectador a agente modificador.

Tomando para si também a responsabilidade de tornar cada vez melhor seu ambiente.

Não basta ser funcionário: tem que participar!

"Ergonomia: preservando o ser humano para torná-lo mais feliz".

  

Webmaker: M. Canton